Queria ver o tempo
parado e eu dançando
metendo o pé na água
só, fugindo em bando
girando a face da terra
um sorriso de quem erra
e eu na chuva fumando.
Queria uma vida fácil
que corra sempre sozinha.
Uma vida despreocupada
como se nem fosse minha.
A vida sempre verdejante
que o vento leva adiante
como essa grama vizinha.
Queria a vida do menino
estudante do fundamental
sem problemas complexos
nenhuma confusão mental.
A vida longa dos rios
energia que corre nos fios.
Quero o colo maternal.
Quero a vida do jazigo
a vida da cova rasa
do caixão que engole corpo
do corpo que a vida vaza
vida daquele defunto
morto já de assunto
que do inferno fez sua casa.
sábado, 17 de abril de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
O espetáculo funesto da morte
O espetáculo funesto da morte
é convicção do ser humano
raciocina durante a vida
mas quando morre é insano.
O espetáculo da morte
algo mudo e mundano.
Velam corpos como velas
pálidos que tremulam almas.
Virtudes deixadas pra trás
em mãos cruzadas e calmas.
Lágrimas que um dia foram
as homenagens, as palmas.
A morte, espetáculo funesto
se apresenta no mundo
dá a deixa do fim dos atos
enterra seu palco fundo
o desfecho de quase tudo
personagenzinho vagabundo.
Somos mais quando morremos
do que nunca deixamos de ser.
Pessoas passam a penar
a insistência de ter de crer
tudo pela vil circunstância
de querer ter uma vida, de viver.
“Defuntamos” sermões dum mote
o de divulgar “estou vivo”
“sou pensante”, “sou agente”
“sou penante”, criativo!
Um processo degradante
mais um viver depressivo.
Poesia inchada que se desfaz
sem acabamentos poéticos
que sai, se desfaz nos ímpetos
sem moldar princípios éticos
só com métrica proporcional
poesia dos nadas estéticos.
é convicção do ser humano
raciocina durante a vida
mas quando morre é insano.
O espetáculo da morte
algo mudo e mundano.
Velam corpos como velas
pálidos que tremulam almas.
Virtudes deixadas pra trás
em mãos cruzadas e calmas.
Lágrimas que um dia foram
as homenagens, as palmas.
A morte, espetáculo funesto
se apresenta no mundo
dá a deixa do fim dos atos
enterra seu palco fundo
o desfecho de quase tudo
personagenzinho vagabundo.
Somos mais quando morremos
do que nunca deixamos de ser.
Pessoas passam a penar
a insistência de ter de crer
tudo pela vil circunstância
de querer ter uma vida, de viver.
“Defuntamos” sermões dum mote
o de divulgar “estou vivo”
“sou pensante”, “sou agente”
“sou penante”, criativo!
Um processo degradante
mais um viver depressivo.
Poesia inchada que se desfaz
sem acabamentos poéticos
que sai, se desfaz nos ímpetos
sem moldar princípios éticos
só com métrica proporcional
poesia dos nadas estéticos.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Ver que Ser
Ser o ser tão mais vadio
testemunha miserável
uma equação constante
de resultado variável
que se altera nas figuras
comprimentos e larguras
sem deixar de ser estável.
Ver daqui cão vira-latas
e um homem vagabundo
um bicho que crê na morte
outro crê no fim do mundo
um que vê o fim do poço
e um velho senhor já moço
que olha de lá do fundo.
Ser o fogo e a fumaça
o alarido na explosão
o enxame de abelhas
diabrura dum fanfarrão.
Ser o fim da brincadeira
e a palavra derradeira
o ataque do coração.
Ver que o Ser é mais que ser
e que ser é mais que nada
que saber é a consciência
de quem tem idéia errada
e que o erro ta no acerto
e o acerto é o concerto
sinfonia elaborada.
Visto serei quando parar.
Serei visto quando eu crer.
Visto seria bela flor.
Seres avisto quando morrer.
Deixo de ser quando eu não for
então deixo pra me impor
somente quand’eu nascer.
testemunha miserável
uma equação constante
de resultado variável
que se altera nas figuras
comprimentos e larguras
sem deixar de ser estável.
Ver daqui cão vira-latas
e um homem vagabundo
um bicho que crê na morte
outro crê no fim do mundo
um que vê o fim do poço
e um velho senhor já moço
que olha de lá do fundo.
Ser o fogo e a fumaça
o alarido na explosão
o enxame de abelhas
diabrura dum fanfarrão.
Ser o fim da brincadeira
e a palavra derradeira
o ataque do coração.
Ver que o Ser é mais que ser
e que ser é mais que nada
que saber é a consciência
de quem tem idéia errada
e que o erro ta no acerto
e o acerto é o concerto
sinfonia elaborada.
Visto serei quando parar.
Serei visto quando eu crer.
Visto seria bela flor.
Seres avisto quando morrer.
Deixo de ser quando eu não for
então deixo pra me impor
somente quand’eu nascer.
Foi, eu sei que foi
Eu vi a lua atrás do sol
eu fiquei cego, mas hoje eu vi.
Eu li um livro, um velho códice
eu fiquei burro, mas sei que li.
Assisti a vida após a morte
não sei se foi azar ou sorte
sei que eu morri, mas assisti.
eu fiquei cego, mas hoje eu vi.
Eu li um livro, um velho códice
eu fiquei burro, mas sei que li.
Assisti a vida após a morte
não sei se foi azar ou sorte
sei que eu morri, mas assisti.
Tecnomaniadeserhightech
Não se orkut, não se bluetooth
não se twitter, não se wi-fi.
Digita o nome e tua senha
com que amigo é que tu sai?
Dá endereço dá o destino
que o GPS diz como vai.
Pra proteger meio ambiente
deixar a mata muito mais green
o nosso mundo e a nossa vida
são mais seguros com touchscreen.
Não toco nada com minhas mãos
toco a tela que toca por mim.
Os meus amigos de fibra ótica
tocam na banda da Banda larga.
São alguns raios de energia
energia doce mas meio amarga.
Me recarregam as baterias
me upload, vem na descarga.
não se twitter, não se wi-fi.
Digita o nome e tua senha
com que amigo é que tu sai?
Dá endereço dá o destino
que o GPS diz como vai.
Pra proteger meio ambiente
deixar a mata muito mais green
o nosso mundo e a nossa vida
são mais seguros com touchscreen.
Não toco nada com minhas mãos
toco a tela que toca por mim.
Os meus amigos de fibra ótica
tocam na banda da Banda larga.
São alguns raios de energia
energia doce mas meio amarga.
Me recarregam as baterias
me upload, vem na descarga.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Vermelho Rosa Amor
Eu verso assim meu amor
verso com tudo de mim.
Eu verso assim minha flor
verso um amor sem fim.
O amor vermelho da rosa
faz com que minha prosa
seja sempre mais carmesim.
verso com tudo de mim.
Eu verso assim minha flor
verso um amor sem fim.
O amor vermelho da rosa
faz com que minha prosa
seja sempre mais carmesim.
Passam os Pierrots, ficam as Colombinas
Passam Arlequins e Pierrots
ficam algumas colombinas.
Passam os anos, a juventude
ficam as lembranças das meninas.
Passam as freiras, as santas
ficam as putas, as libertinas.
Passam os gritos e os soluços
ficam as raivas e o rancor.
Passam os remédios e as curas
fica a sina e fica a dor.
Passa o histerismo vil
mas permanece o horror.
Passam pedestres e automóveis
ficam as ruas e avenidas.
Passam os homens nas calçadas
ficam histórias de suas vidas.
Passam os caminhos de volta
ficam só os que são de ida.
Passam os dias, os dia-a-dias
ficam esquecidos todos amantes.
Passam os casos e as orgias
ficam os amores mais delirantes.
Passam as bocas mortas e frias
ficam os beijos emocionantes.
Passam as horas, passam os dias
passam as vidas, passam histórias
passam as lutas, passam venturas
passam os afãs, passam as glórias
passam os anéis, passam os dedos
passam derrotas, passam vitórias.
Ficam as flores, ficam as rosas
Ficam imunes em suas telas
ficam as manchas nas paredes
ficam nos quadros as aquarelas
fica essa eterna e ambígua luta
e a experiência dessa querela.
ficam algumas colombinas.
Passam os anos, a juventude
ficam as lembranças das meninas.
Passam as freiras, as santas
ficam as putas, as libertinas.
Passam os gritos e os soluços
ficam as raivas e o rancor.
Passam os remédios e as curas
fica a sina e fica a dor.
Passa o histerismo vil
mas permanece o horror.
Passam pedestres e automóveis
ficam as ruas e avenidas.
Passam os homens nas calçadas
ficam histórias de suas vidas.
Passam os caminhos de volta
ficam só os que são de ida.
Passam os dias, os dia-a-dias
ficam esquecidos todos amantes.
Passam os casos e as orgias
ficam os amores mais delirantes.
Passam as bocas mortas e frias
ficam os beijos emocionantes.
Passam as horas, passam os dias
passam as vidas, passam histórias
passam as lutas, passam venturas
passam os afãs, passam as glórias
passam os anéis, passam os dedos
passam derrotas, passam vitórias.
Ficam as flores, ficam as rosas
Ficam imunes em suas telas
ficam as manchas nas paredes
ficam nos quadros as aquarelas
fica essa eterna e ambígua luta
e a experiência dessa querela.
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